"Loa, xácara e bugiganga" (2015) / Peças

de Calderón de la Barca

    Estreia: 19/06/2015
    Encenação e tradução: Gil Salgueiro Nave
    Cenografia e figurinos: Luís Mouro
    Desenho de luz: Jay Collin
    Interpretação: Adriana Pais, Celso Pedro, Marco Ferreira, Miguel Telmo e Sónia Botelho 
    Cartaz: Luís Mouro
    Produção: Teatro das Beiras
    Fotos : Paulo Nuno Silva
    Vídeo: Ivo Silva

Um teatro de todos os tempos.

A extensa obra teatral de Calderón de la Barca (1600-1681) é um legado cultural inalienável da humanidade e constitui ainda hoje um “material“ cénico motivador e inspirador, ocupando permanentemente um espaço peculiar na criação teatral contemporânea.
Calderón é seguramente um dos dramaturgos do Século de Ouro espanhol que mais destacadamente influenciou e contribuiu para a edificação da cultura europeia. Os géneros “maiores” como os dramas de honra ou os autos sacramentais, não ocultam a identificação deste genial dramaturgo com o chamado “teatro menor” ou “teatro breve”, donde retirámos os textos que estruturam este espectáculo; “As carnavalescas” e “As visões da morte”.
O teatro como festa, a “irracionalidade abstracta” onde o caracter sério das comédias mitológicas e autos sacramentais contrastam com a escrita de um teatro social, habitado por personagens do tipo popular que povoam as loas, xácaras e entremezes.
A festa burlesca, o riso, a censura, o mundo ao contrário, os rituais carnavalescos nos limites da transgressão; o teatro por dentro do teatro. 
No seguimento de anteriores produções do Teatro das Beiras, “Loa, xácara e bugiganga” é uma proposta para o reencontro de um clássico universal com largas faixas de público num espectáculo de ar livre.

Sinopse:
O entremez “As carnavalescas” mostra-nos o confronto entre duas jovens filhas e seu pai, um velho avarento a quem as estas pedem permissão para fazer uma comédia. É tempo de carnaval e elas querem juntar-se ao regozijo geral; no entanto o seu pedido é recusado. Um animado diálogo entre os personagens, pai, filhas e criada, tem como tema central as loucuras do carnaval. Ao mesmo tempo faz-se saber que uma das filhas, Rufina, preparou um plano que com a ajuda da sua criada Luísa levará a cabo, fazendo entrar em casa um galã seu namorado sob o disfarce de um comediante, o Gracioso. Este oferece-se para fazer a comédia tão desejada pelas jovens a quem “este tempo de carnaval no corpo as retesa”. A partir deste momento o centro das atenções passa a ser o Gracioso, que depois de comer e beber representa diversos personagens até cair exausto e borracho. O velho que saiu à procura de um carregador que lhe tirasse de casa o Gracioso bêbado, dá-se conta de que lhe roubaram a filha e os haveres. Descoberto o embuste, o Velho em grande desespero e alucinação, nomeia de forma irracional e caótica um conjunto de personagens populares e folclóricos.
Em “As visões da morte” a trama desenvolve-se em torno de uma companhia de atores após a representação de um auto sacramental onde os protagonistas são personagens de carácter alegórico e religioso (Corpo, Alma, Demónio, Anjo e Morte). Os atores, terminada a representação num lugar e sem tempo para mudarem de figurinos viajam com atraso para outra localidade para uma nova representação. Durante a viagem e após um acidente com a carroça dos cómicos, estes encontram um Caminhante, que esgotado pelo cansaço e pelo vinho, adormeceu à beira do caminho. O Caminhante, acordado pelo acidente no meio de um sonho é incapaz de decifrar o que está a acontecer. Será sonho ou realidade? A ação dramática chega ao seu momento mais delirante: as figuras do Auto revelam involuntariamente todas as suas possibilidades cómicas na inversão moral daquilo a que estão destinadas a representar e o odre do vinho ganha agora protagonismo. A trama precipita-se para um final festivo muito frequente na comédia barroca: um grupo de gitanos perseguem uns ceifeiros galegos, estes misturam-se com os personagens do Auto e tudo termina em festa com música e canções populares. O quixotesco sonho tomado por verdade é aqui uma apropriada metáfora propondo ao espectador reflexão sobre a vida e a morte “La vida humana como un teatro donde cada persona representa un papel”.
 
Espetáculo para maiores de 3 anos

Duração: 70 minutos

Outras peças em cena