Em Cena

Eduardo De Filippo (1900-1984), protagonizou um importante contributo na edificação da dramaturgia europeia do século XX. Foi um notável actor, dramaturgo e não menos importante diretor teatral que magistralmente encenou as suas próprias obras. Atento e sensível, testemunhou todas as contradições de carácter social e artístico ocorridas no seu tempo, e acompanhou de forma participada o advento da massificação dos meios de comunicação implantados no século XX, a rádio, o cinematógrafo e a televisão. Para todos eles produziu textos teatrais e guiões, além da sua presença como ator e diretor.
O espetáculo “Do princípio ao fim” é construído a partir da revisitação ao acervo dramatúrgico de Eduardo De Filippo, e está estruturado num guião que aborda os géneros comuns ao teatro musical e dramático de grande expressão popular nos teatros de bairro e cafés-teatro na Europa do pós-guerra. “Do princípio ao fim” comporta uma identidade sustentada na história das artes de palco e propõe ao mesmo tempo uma leitura contemporânea e atualizada de uma dramaturgia que se inspira num teatro eminentemente social, de humor desconcertante, às vezes trágico e grotesco, estimulando o sentido crítico, insinuando uma mistura de desencanto e simultaneamente de esperança e expectativa na humanidade, capaz de impulsionar o homem a resistir às adversidades e continuar lutando pelos valores de dignidade que são lhe devidos.
Uma companhia de atores caídos em desgraça esperam ansiosamente “uma ajudazinha” das autoridades locais, por forma de suster o eminente e trágico fim que se anuncia. Fazendo jus às suas multidisciplinares capacidades artísticas, organizam uma récita onde se sucedem números musicais, folhetins radiofónicos, cinematógrafo e, claro, o drama a farsa e a comédia trágica de um quotidiano vivido nos limites do surreal, ainda que estimulante apesar de tudo. Na farsa “Perigosamente” bem ao estilo do popular teatro de bonecos, o habitual bastão com que se castigam as impertinências domésticas é substituído por um revólver que sistematicamente falha o alvo por milagre ou por manifesta falta de pontaria. No entanto esta estranha e absurda ação é uma mezinha certeira para a harmonia conjugal… No drama num ato que tem por título “Amizade”, um amigo visita um outro amigo que padece de uma enfermidade mental. Este, no seu delírio e não reconhecendo o velho amigo que de muito longe o veio visitar, e que muito se esforçou para satisfazer os últimos desejos do moribundo, acaba por confessar as infidelidades cometidas ao longo de anos de uma extravagante relação de amizade.

Duração: aprox. 70 minutos
Classificação etária: maiores 6 anos

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É muito possível que num futuro próximo as memórias das brincadeiras de infância não tenham nada a ver com subir a árvores, saltar, correr, brincar na rua, mexer na terra e chegar a casa cheio de lama por termos apanhado chuva. Serão antes recordações de jogos de consolas, brinquedos eletrónicos, programas de televisão ou aplicações de telemóvel. Juntando a este mundo cada vez mais “virtual” as mil e uma atividades que competem com o tempo livre das crianças, cada vez menos oportunidades elas terão de não ter nada “obrigatório e organizado” para fazer e tirar proveito dessa grande escola da vida que é brincar em liberdade. Os trabalhos de casa excessivos são um exemplo dessas atividades que se intrometem demasiado no tempo livre que as crianças têm para brincar e participar na vida social e familiar. O INVENTÓRIO transpõe para o imaginário do teatro esse momento do quotidiano de qualquer criança, difícil de evitar, que é fazer os trabalhos para casa. Os TPC passam a ser protagonistas de uma série de situações, brincadeiras de faz-de-conta, que simbolizam os momentos extremamente importantes na vida de uma criança, onde sozinha ou em grupo desenvolvem a sua imaginação, autoconfiança e autoestima. O grande problema é quando a imaginação começa a ocupar demasiado espaço e as situações começam a ficar descontroladas. O INVENTÓRIO transforma-se então num mundo surreal de histórias e invenções completamente improváveis e catastróficas. Desde coelhos japoneses que comem folhas de papel sushi, a índios que aprendem a ler, bombeiros astronautas que salvam o planeta dos incêndios e uma intrigante Brigada dos TPC que tenta evitar a todo o custo este gigantesco complô para não fazer os trabalhos de casa. O INVENTÓRIO é um espetáculo original, construído a partir de situações imaginadas no momento em que se tem de fazer os trabalhos de casa … e não se consegue. Uma espécie de procrastinação explicada à infância com todos os benefícios criativos e saudáveis para todas as idades. Um verdadeiro hino à imaginação de todas as crianças, um espetáculo que promete ser divertido para miúdos e graúdos e para todos os que gostam de procrastinar... com muita imaginação.próprias"

Duração: 50 minutos
Classificação etária: maiores 6 anos
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A obra literária de Alves Redol, reflete a natureza sensível do homem e do escritor numa permanente preocupação na transmissão de valores éticos em defesa de princípios e direitos de humanidade para todos os cidadãos, impulsionando a democratização e acesso à educação, por forma a consciencializar o seu papel determinante na transformação do mundo.
A complexidade dos tempos que vivemos; o consumismo, a sociedade mercantil sem limites; os jogos eletrónicos obsessivamente agressivos sem objetivos didáticos e educativos onde a ausência de valores nos distancia   irremediavelmente da realidade, mergulhando-nos num limbo virtual, desperta-nos memórias adormecidas no tempo. Na procura de sinais que o progresso nos deixa escapar, somos solicitados a um reencontro com a poética que ressalta da obra do autor, evocando a vida do homem e a sua ligação à terra. A terra, esse mundo mágico onde tudo começa…
É esta reflexão que incentiva a vontade de criar cenicamente, uma das suas obras onde o tema se impõe: a riqueza da terra e a forma generosa como ela nos oferece o que hoje descuidadamente se deixa morrer: o alimento saudável da humanidade (alimentos que não surgem nas prateleiras das grandes superfícies comerciais).
Este espetáculo, especialmente endereçado aos jovens, inspira-se na metamorfose das sementes do trigo - o ciclo do pão - que é também uma metáfora abrangente quando indicia uma forma plena de conhecimento e sabedoria, transmitindo a verdadeira magia da terra e a importância da sua preservação.
“ Um mundo mágico…”, é um contributo artístico que estimula a sensibilidade dos jovens espetadores para um dos mais importantes dilemas da sociedade contemporânea: a defesa do planeta.

Duração: 45 minutos
Classificação etária: maiores 6 anos
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Numa sala muito cor-de-rosa, de uma casa muito escura, uma solitária mulher executa a rotineira tarefa “muito feminina” de passar a roupa a ferro. Ela passa, passa, passa… Subitamente, dá conta que no prédio defronte, num apartamento até então desabitado, se instalou uma nova inquilina. Tudo muda: deixa de estar só!
Começa então entre elas uma conversa (na verdade, um solilóquio) na qual, sob múltiplos aspetos, se evidencia a relação homem/mulher, hoje como no passado, uma questão de antropofagia. Diz Unamuno que o homem não pode viver senão de fome. A mais viva expressão de amor é “Eu comia-te!” (...) Só que hoje já não comemos as carnes; comemos as almas! É desta matéria, na sua abrangência real e metafórica, que fala o espetáculo.
Contribuir para uma reflexão bem disposta sobre a condição feminina, fazendo jus às palavras de Franca Rame: “Há dois mil anos que choramos. Vamos agora rir, rir de nós próprias"

Duração: 55 minutos
Classificação etária: maiores 14 anos
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