Festival de Teatro 2017 / Programa


Auditório do Teatro das Beiras
2 de novembro de 2017
21h30

PERIPÉCIA TEATRO

13

 Ángel Fragua, Noelia Domínguez e Sérgio Agostinho

Em 2017 celebra-se o 100º aniversário das aparições de Fátima. Estas celebrações coincidem com 13º aniversário da Peripécia Teatro e a sua criação de 2017 será a 13ª produção. Os três pastorinhos são personagens da primeira criação desta companhia, estreada em Maio de 2004: “IBÉRIA -  A Louca História de uma Península”. Tendo em conta estes sinais o espetáculo tem o título “13” e estreou em Maio de 2017 a 40 Km da Cova de Iria: Benedita, Concelho de Alcobaça. Dá para ir a pé.
O espetáculo “13” não segue uma linha narrativa próxima ao thriller bíblico, nem uma linha cómica sobre a fé paranormal. Também não segue uma linha satírica sobre o fanatismo milagreiro nem uma linha dramática sobre três crianças num Portugal profundo, em plena Primeira Grande Guerra, à procura do amor e da proteção que lhes faltou.
“13” é um nó cego entre todas estas linhas.

Ficha técnica
Criação e Interpretação: Ángel Fragua, Noelia Domínguez e Sérgio Agostinho | Iluminação: Paulo Neto | Produção executiva: Sara Casal | Co-Criação e Direção: José Carlos Garcia | Co-produção: Peripécia Teatro, Município de Alcobaça, Teatro do Avesso 
 
teatro | 85 minutos | maiores 12 anos

Auditório do Teatro das Beiras
3 de novembro de 2017
21h30

TEATRO DO MONTEMURO

Memórias Partilhadas

 Peter Cann, Therese Collins e Abel Neves

Três monólogos que nos contam as histórias de objetos que tem muito para partilhar e que se ligam entre si de uma forma ou de outra
 
(“Uma carteira vazia” de Therese Collins)
O que há na carteira de uma pessoa diz-nos muito sobre a pessoa. A escolha de uma carteira de uma pessoa diz-nos muito sobre uma pessoa.
Anna, tem um fascínio com carteiras, não pode deixá-las sozinhas – especialmente as das outras pessoas. Se ela está tão fascinada com elas, por que não pode ela abrir a carteira da sua mãe falecida?

(“O Lápis” de Abel Neves)
A caneta é mais poderosa que uma espada, ou no caso de Delfim, um lápis.
Com um lápis, você pode destravar o mundo. É a espada da verdade. Pode transportar um navio para a segurança, pode tomar banho de ervas no Montemuro - pode colmatar uma lacuna ou esconder-se na floresta.
Bem, pode na mão de Delfim e com a imaginação de Delfim.

(“A Almofada de Penas de Cuco”de Peter Cann)
Em 1966 existiam dois amigos Adão e Fábio que faziam tudo juntos. Em 1966 houve um Campeonato do Mundo e Eusébio agraciava o jogo. Em 1966, um dos amigos apaixonou–se - e tudo mudou.
O que fazes se nunca mais vês o teu único e verdadeiro amigo? O que fazes para as coisas voltem a ser como eram antes dela chegar?
O que não deves fazer, é dar ao teu amigo uma almofada de penas de cuco.

Ficha técnica
Textos de: Peter Cann, Therese Collins Abel Neves | Tradução:Graeme Pulleyn | Encenação: Steve Johnstone  | Direção Musical: Simon Fraser | Interpretação: Abel Duarte, Eduardo Correia ePaulo Duarte | Cenografia e figurinos: Sandra Neves | Construção de Cenários:Carlos Cal | Desenho de Luz:Paulo Duarte | Assistência à construção de cenários e figurinos:Maria da Conceição Almeida | Direção de Produção:Paula Teixeira | Direção de Cena:Abel Duarte
Coprodução: Teatro do Montemuro e Teatro Nacional D. Maria II
 
teatro | 75 min. | maiores 12 anos

Auditório do Teatro das Beiras
4 de novembro de 2017
21h30

COMPANHIA DE TEATRO DE BRAGA

As Criadas

 Jean Genet

AS CRIADAS, de Genet, encerram o ciclo Liberdade e Solidão, a que nos obrigamos desde 2013. Exatamente no ano em que perfaz 30 anos da sua morte. Ele que abordado sobre o problema do tempo, respondeu como Santo Agostinho “espero a Morte” e questionado sobre algum do seu teatro (As Criadas, Os Negros, A Varanda…) nos deixou dito:
“Estou-me nas tintas. Quis fazer peças de teatro. Cristalizar uma emoção teatral e dramática. Se as minhas peças servirem os negros, não me importa. De resto, não acredito nisso. Acho que a acção, a luta directa contra o colonialismo faz mais pelos negros que uma peça de teatro. Procurei fazer ouvir uma voz profunda que os negros e as demais criaturas não conseguiram fazer ouvir. Um crítico disse que “as criadas não falam assim”. Falam assim. Mas só comigo e à meia-noite. Se me disserem que os negros não falam assim, responderei que ouviremos mais ou menos aquilo se encostarmos o ouvido ao seu coração. Temos de saber ouvir o que não está formulado.”
Jean Genet

Ficha técnica
Autor:Jean Genet | Tradução:Eduardo Tolentino e Rui Madeira | Cenografia:Acácio de Carvalho | Dramaturgia e encenação:Rui Madeira | Assistente de encenação:Eduarda Filipa | Elenco:Sílvia Brito, Solange Sá, Mariana Reis | Figurinos:Manuela Bronze | Desenho de luz:Nilton Teixeira
 
teatro | 80 min. | maiores 14 anos

Auditório do Teatro das Beiras
6 de novembro de 2017
11h00

TEATRO ART'IMAGEM

BemMarMeQuer - O Coração é uma Praia

 A partir de "mar me quer", de Mia Couto

Uma adaptação dramatúrgica do texto de Mia Couto “mar me quer” numa encenação em que os protagonistas Luarmina e Zeca num exercício entre a oralidade, bem à maneira africana, e a interpretação actoral, vão reviver factos e vidas dos seus antepassados, trazendo à memória e convocando os seus sonhos numa viagem pelas águas do Fantástico Literário Miacoutiano.
 
“Lançamos o barco, sonhamos a viagem: quem viaja é sempre o mar”
Luarmina e Zeca Perpétuo, vivem junto ao mar… Zeca, reformado das pescas sonha “simetricar”, se “combinar” com a gorda mulata.
- Somos tão vizinhos Dona, faz conta somos verbo e sujeito…
Luarmina vai aprendendo mil defesas para as insistências namoradeiras de Zeca…
- Me larga Zeca, não vê que eu já não desengomo o lençol… o que eu quero mesmo é que me conte as suas memórias, me fale do seu passado, quero as coisas que foram e como foram.
Essas que nos deixam saudade. E Zeca vai desfiando as suas memórias, convoca o seu avô Celestiano e os seus provérbios da ancestral nação Macúa.
Fala das memórias de infância e de seu pai Alberto Salvo-Erro, conta a história de Maria Bailarinha. “Essa ajunta brasas” e desvenda o seu segredo ao falar do grito da gaivota…
- Me persegue essa aguda piação, me rasga as cicatrizes de uma ferida que nunca senti.
Diz o avô Celestiano:
- Quando não somos nós a inventar o sonho, é ele que nos inventa a nós.”

Ficha técnica
a partir da obra: “mar me quer” de Mia Couto | Dramaturgia e Encenação: Pedro Carvalho | Interpretação: Flávio Hamilton, Pedro Carvalho, Neusa Fangueiro | Ilustração, Cenografia, Figurinos e Adereços: Sandra Neves | Desenho de Luz: Wilma Moutinho | Sonoplastia e Desenho de Som: Pedro Lima | Música: Rui Lima e Sérgio Martins | Assistente de Ensaios: Rui Leitão | Operação de Luz e Som: Daniela Pêgo e José Lopes | Vídeo e Fotografia de Cena: Leonel Ranção 

teatro | 60 min. | maiores 12 anos

Auditório do Teatro das Beiras
7 de novembro de 2017
11h00

JANGADA TEATRO

Pedro e o Lobo

 Luiz Oliveira

Pedro era um brincalhão, só fazia asneiras. Não respeitava nada nem ninguém, chegando a enganar o seu melhor amigo, o bode velho. Um dia, enquanto guardava as ovelhas na serra, pôs-se a gritar: – Lobo! Lobo! Lobo! – A aldeia em peso foi em seu socorro. Mas, não viram qualquer animal. Pedro fica a rir-se por tê-los enganado. Na semana seguinte, repetiu-se a cena e, como uma vez mais, não havia lobo nenhum, os aldeãos foram-se embora chateados com a brincadeira de Pedro. Passados tempos, aparece na serra um lobo. Este lobo, bem-falante, seduz o rebanho, explicando que é um lobo solitário, em vias de extinção e de como as alterações na natureza o empurraram para longe do seu habitat natural. Pedro, não encontrando o rebanho, grita aflito por socorro, ao qual ninguém acode.

Ficha técnica
Texto e Encenação:Luiz Oliveira | Interpretação:Luiz Oliveira, Rita Calatré e Vítor Fernandes | Música Original e Pianista:Rui Souza | Bonifrates e Figurinos:Susana Morais | Coreografia:Daniela Ferreira | Cenografia:Xico Alves | Desenho de Luz:FM e Fernando Oliveira

teatro de marionetas | 50 min. (aprox.) | maiores 3 anos

Auditório do Teatro das Beiras
8 de novembro de 2017
11h00

BAAL 17

Um dia serei grande

 Criação Coletiva

João nasceu num susto sem saber como. Enquanto se constrói, ganha a consciência de que é necessário fazer escolhas e de que existem regras para cumprir.
Vai para a escola para aprender e para descobrir quem é.
Aprende a ler, aprende a matemática, fica a saber que há coisas que não sabe, e que existirá um futuro onde nem sempre as coisas serão fáceis.
Depois vai viajar. DescobreR08;se mais um pouco, e descobre que o mundo é muito grande e nele vivem muitas e diferentes pessoas. E ele, tal como os outros, um dia crescerá, um dia terá uma profissão, um dia será uma parte transformadora da sociedade. Um dia será grande.

Ficha técnica
Criação coletiva | Encenação: Rui Ramos | Interpretação: Filipe Seixas e Marisela Terra | Adereços e construção marionetas: Coletivo | Cenografia: Ana Rodrigues e Ivan Castro | Fotografia:Baal17

teatro de marionetas e objetos | 40 min. | maiores 6 anos

Auditório do Teatro das Beiras
9 de novembro de 2017
11h00

D'ORFEU

Borbolino

 Odete Ferreira

A história de uma formidável amizade entre um grilo e uma criança, que juntos descobrem os valores mais importantes da vida. Um espetáculo sonoro e plástico interpretado por Ricardo Falcão, que demonstra como podemos ser diferentes, mas criar laços infinitos e íntimos. 
Adaptação para espetáculo de marionetas do livro infantil “Borbolino”, da autoria de Odete Ferreira e editado pela d'Eurídice.

Ficha técnica
Texto:Odete Ferreira | Encenação: Filipa Mesquita | Interpretação e música: Ricardo Falcão | Cenografia:Joana Domingos, Margarida Carreira e Filipa Mesquita | Marionetas: Margarida Carreira

teatro de marionetas | 45 min. | maiores 3 anos

Auditório do Teatro das Beiras
10 de novembro de 2017
21h30

TEATRO GUIRIGAI

Un encuentro con Miguel Hernández

 Agustín Iglesias

Como mestres de uma cerimónia, três intérpretes convidam o espetador a encontrar-se com os momentos vitais de Miguel Hernández: infância, adolescência, primeiros amores, chegada a Madrid, emoção perante a criação, República, guerra e prisão.
Os versos de Miguel Hernández e uma representativa banda sonora compõem a dramaturgia de A. Iglesias, que mostra a jornada vital de uma geração de jovens artistas numa época de ansiosas transformações. Os intérpretes dançam, sonham, sofrem, riem, lutam, apaixonam-se…, criando com a sua voz e movimento uma coreografia de emoções em estreita relação com o espetador.

Ficha técnica
Dramaturgia e direção:Agustín Iglesias | Intérpretes:Magda Gª-Arenal, Raúl Rodríguez, Jesús Peñas | Espaço cénico:Jean Helbing | Espaço plástico:Luis Pablo Gómez Vidales y Maite Álvarez | Espaço sonoro:Lucia Alvarado | Iluminação:Jordi Alvarado | Música de:Granados, Gershwin, Shostakovich, Nino Rota, John Cage y Penderecki | Técnico: Jose Mª Mato | Produção: Magda Gª-Arenal
 
teatro | 70 min. | maiores 16 anos

Teatro das Beiras - Café Teatro
11 de novembro de 2017
23h00

JOÃO ESPADINHA

João Espadinha Quinteto

 João Espadinha

João Espadinha é um guitarrista de 26 anos a residir atualmente em Lisboa, depois de uma experiência de quatro anos em Amesterdão. A preparar-se para lançar o seu disco de estreia enquanto líder, traz ao Festival um grupo que reúne músicos de renome no panorama jazzístico nacional, para um concerto onde tocará, entre outras coisas, música original presente nesse mesmo disco.

Ficha técnica
Guitarra: João Espadinha | Trompete: Luís Cunha | Piano: Óscar Graça | Contrabaixo:Ricardo Marques | Bateria: João Pereira
 
música | 60 min. 

Auditório do Teatro das Beiras
11 de novembro de 2017
21h30

TEATRO DAS BEIRAS

Ilha dos Escravos

 Pierre de Marivaux

A Ilha dos Escravos faz do palco uma ilha utópica, uma sociedade em conformidade com a razão, um modelo imaginário onde uma sábia legislação contraria as injustiças das sociedades reais. O género disseminou-se no ocidente na esteia da Utopia de Thomas More (1516), a sua popularidade não parou de crescer e o tema marcará o século das Luzes, a começar desde logo no jovem Marivaux.
Uma ilha, uma tempestade, um naufrágio: ingredientes clássicos da viagem utópica. Marivaux opta adicionar aqui, a distância do tempo, reportando a acção para a Antiguidade.
Ificrato e Eufrosina, acompanhados dos seus criados, Arlequim e Cleanta, naufragam numa ilha que é um refúgio de escravos gregos. Trivelino, governador da ilha, propõe aos dois criados que assumam o papel de seus patrões, a fim de os corrigir do pecado do orgulho e da vaidade. Em suma, “um curso de humanidade” com o intuito de os tornar sensíveis à dor que infligiram sobre os seus criados. Os antigos patrões serão convertidos em escravos com vista ao seu arrependimento para assim recuperarem a liberdade.
Arlequim e Cleanta representam os seus papéis com brio pondo à prova os nervos dos seus amos, agora “escravos”. E como justamente sublinhou Bernard Dort, “a prova do outro transforma-se inevitavelmente numa prova a si próprio, os novos “amos” terão também muito a aprender”.
Para Marivaux o tratamento terapêutico passa então por uma cura pela acção. Os viajantes observadores de um mundo transformado, tornam-se os actores da sua própria transformação. A viagem consiste em olhar para si próprio e romper véus e máscaras para chegar ao Homem: a salvação não vem da razão do legislador, mas do bater do coração, para que os homens se tratem como homens, apesar de sua inevitável desigualdade.

Ficha técnica
Autor: Pierre de Marivaux | Tradução: Luís Miguel Sintra | Encenação: Gil Salgueiro Nave | Interpretação: Miguel Telmo, Margarida Calaveiras, Roberto Jácome, Sílvia Morais e Tiago Moreira | Cenografia e figurinos: Luís Mouro | Desenho de luz: Fernando Sena | Operação de luz e som: Tomás Torres
 
teatro | 70 min. | maiores 6 anos