A Noite dos Visitantes, de Peter Weiss, é uma reflexão em verso popular e rimado, referida ao teatro Kabuki e ao Grand Guignol, projeto radicalmente antinaturalista que se debruça sobre como as populações civis são as vítimas eternas dos imperialismos. Autor de um teatro politizado e documental, Weiss realiza nesta peça uma parábola que, sendo referida ao final da Segunda Guerra Mundial, mostra como o esbulho e o saque dos recursos naturais acaba por manchar de forma infame a justa vitória dos “libertadores” da Europa, Russos e Americanos. Sendo uma parábola, a sua lição está muito para além dessa limitação referencial histórica.
A Noite dos Visitantes cuja moral final será “não tens mais do que as tuas mãos e umas batatas para semear” para construir o futuro, tem tradução de Mário Barradas e é encenada por Fernando Mora Ramos. No ano em que o Teatro da Rainha assinala 40 anos, esta coprodução com o cinquentenário Teatro das Beiras ̶ uma das mais destacadas companhias do desertificado interior do país ̶ é uma homenagem ao homem de teatro Mário Barradas, que em 1978 a encenou no Centro Cultural de Évora com estreia Teatro Garcia de Resende. Fernando Mora Ramo integrava, então, o elenco.